No Brasil, é bem nítido o desenrolar do entrelaçamento do ideais da extrema -direita com valores cristãos, o que não é algo atual, porém vem ganhando destaque e se tornou um fenômeno que merece ser discutido devido à expressividade que vem ganhando no posicionamento do brasileiro perante as pautas de seu país.
Caracterizado por ter representantes notáveis que no campo ideológico se justificam através da Bíblia, demagogos contemporâneos da extrema direita passam a utilizar da moral cristã, que ainda é muito presente no inconsciente coletivo da população brasileira, almejando assim convencer o cidadão de que ambos já partilham das mesmas opiniões- Tementes a Deus e seus princípios- criando um discurso que vai moldar o “cidadão de bem” e seu ufanismo pela moral, família e a pátria.
A seletividade com a qual trabalham com o credo cristão e Bíblia, por ser ela a base codificada da moral cristã, é um fato realmente preocupante pois, em primeiro lugar, passam a confundir política com religião (a história já provou o quão amargo é esse drink) e em segundo lugar, não a apresentam como um todo, fazem recortes no credo cristiano, adequando-o ao discurso conservador. Partes que que contrariam ou põem em xeque algumas premissas políticas do campo da extrema-direita são simplesmente ignoradas.
O primeiro passo é fazer o cidadão se identificar com a doutrina por meio da assimilação com valores religiosos arraigados na população, o segundo é introduzir novas posições, pautas e opiniões próprias, agora, do discurso conservador da extrema-direita. Dentre essas posições, entram em cena o discurso de ódio e a intolerância a grupos minoritários e/ou divergentes, e fazer com que esses eleitores - agora integrados ao grupo sob a alcunha de “cidadãos de bem ”- pactuem do mesmo preconceito travestido de princípios morais.
A situação começa a ser tomada para o foco da atenção quando seus reflexos são notados nos picos de discussões sociais que tomam a frente da mídia e das conversas diárias. Toma-se como exemplo a reação à retomada do debate sobre a guerra na Síria, a morte de Stephen Hawking e a execução de Marielle Franco.
Chega aos noticiários e mídias sociais do país uma série de imagens fortes de de crianças mortas, mutiladas e feridas nos confrontos que se desenvolvem no cenário instável da guerra na Síria. O que mais chamou a atenção no momento em que essa situação foi exposta ao Brasil são os comentários de fanáticos religiosos que justificavam (uma parte até defendia) o massacre como obra da profecia de Deus. Uma passagem difundida com uma foto nas redes sociais destaca o capítulo 17, versículo 3 do Livro de Isaías, contém em seu texto uma menção ao império Assírio e foi usado como base erroneamente pelos xenófobos mascarados de “fiéis”.

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